Referências do Debate

Gregório de Nissa, 335 d.C. – 395 d.C.

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Gregório de Nissa foi um bispo, teólogo e filósofo cristão do século IV, um dos três "Pais Capadócios", como ficaram conhecidos. Além dele, faziam parte deste grupo o seu irmão Basílio, o Grande, e Gregório de Nazianzo. Gregório fora um pensador e teólogo, bispo e exegeta do quarto século que chegou a produzir diversas obras sobre os mais variados assuntos. Entre os assuntos sobre os quais tratou, encontra-se sua bela defesa quanto à dignidade da imagem divina no homem. Abaixo temos uma curtíssima lista de citações do volume 29, da série Patrística publicada pela Editora Paulus. Esta obra contém três livros de Gregório: A Criação do Homem, A Alma e a Ressurreição, A Grande Catequese.


LIVRO A CRIAÇÃO DO HOMEM CAPÍTULO XVIII

O grande Apóstolo louva também esta espécie de soerguimento [da vida], quando nos convida sem cessar a ter pensamentos elevados. E assim é possível compreender como todo este movimento da alma dirigido para o alto pela atividade superior do pensamento se torna conforme à imagem divina. Mas quando a balança do pecado é pesada e inclinada ao mal, o mais frequentemente sucede o contrário; a parte superior de nossa alma é mais inclinada a ser arrastada para baixo pelo peso da natureza irracional do que o peso e o elemento terrestre a serem elevados pela eminência do intelecto; por isso frequentemente a nossa miséria faz desconhecer o dom divino e, como uma horrível máscara, a paixão da carne recobre a beleza da imagem [de Deus]. Portanto, são desculpáveis aqueles que, voltando-se a considerar esses casos, CRIAM DIFICULDADE EM ADMITIR QUE [NO HOMEM] HAJA A FORMA DIVINA.

LIVRO A ALMA E A RESSURREIÇÃO CAPÍTULO II - A NATUREZA DA ALMA

São esses os movimentos que se chamam paixões, quando se produzem em nós e que não foram atribuídas à vida humana unicamente em vista do mal; o demiurgo, de fato, seria verdadeiramente responsável pelos males, se fosse ele que tivesse lançado em nossa natureza as forças que conduzem inevitavelmente ao pecado. Ao contrário, segundo O USO QUE SE FAZ DO LIVRE ARBÍTRIO, tais movimentos da alma se tornam INSTRUMENTOS DE VIRTUDE OU VÍCIO, tal como o ferro, quando recebe a marca determinada pela vontade, pelo artista, assume a forma desejada pelo seu pensamento, tornando-se ou uma espada, ou qualquer outro instrumento do agricultor.

LIVRO A ALMA E A RESSURREIÇÃO CAPÍTULO IV - A ASSIMILAÇÃO AO DIVINO E A PURIFICAÇÃO DA ALMA DEPOIS DA MORTE

Uma vez que a nossa natureza se encontra sempre em movimento, nós, homens, NOS DEIXAMOS ARREBATAR PELO IMPULSO DE NOSSO ARBÍTRIO: se assim podemos dizer, a parte anterior da nossa natureza não se encontra nas mesmas condições da parte posterior. De fato, enquanto a esperança guia o seu movimento para o futuro, é a recordação que acolhe o movimento direto da esperança. Se a esperança guia a alma em direção à verdadeira beleza, O MOVIMENTO DA NOSSA DECISÃO deixa na recordação um vestígio radiante; se, ao contrário, O LIVRE-ARBÍTRIO erra acerca do bem porque a esperança engana a alma com uma beleza só aparente, a recordação resultante disto então se torna sentimento de vergonha. Produz-se assim na alma uma luta interior: a recordação combate a esperança que conduziu mal o livre-arbítrio. Esta situação é ilustrada claramente pela vergonha: a alma experimenta remorso por aquilo que aconteceu, ela é golpeada pelo arrependimento como por um flagelo, atacada por um impulso irrefletido, e contra a dor que lhe faz sofrer chama em ajuda o esquecimento.

LIVRO A ALMA E A RESSURREIÇÃO CAPÍTULO IV - A PURIFICAÇÃO, OBRA DE DEUS QUE ATRAI A ALMA

Uma vez que O MAL NÃO PODE, por natureza, EXISTIR FORA DO LIVRE-ARBÍTRIO, quando o livre-arbítrio se encontra em Deus, o mal irá ao encontro da total destruição porque não lhe resta mais nenhum receptáculo.” [...] As naturezas racionais nasceram para que a riqueza dos bens divinos não seja estéril: os receptáculos das almas foram fabricados pela sabedoria que formou o universo COMO VASOS DOTADOS DE LIVRE-ARBÍTRIO, para ser uma espécie de espaço capaz de receber os bens e que aumentasse constantemente com o acréscimo do que nele é vertido.

LIVRO A ALMA E A RESSURREIÇÃO CAPÍTULO V. TRANSMIGRAÇÃO, PREEXISTÊNCIA E APARIÇÃO DA ALMA. INTRODUÇÃO À DOUTRINA DA RESSURREIÇÃO

Se, ao contrário, [seres humanos] nascem através do mal, nós viveremos inteira e absolutamente segundo ele. Se se aceita tal hipótese, são somente frivolidades os tribunais que nos aguardam depois desta vida, AS RECOMPENSAS PROPORCIONADAS AOS NOSSOS MÉRITOS, e todas as outras coisas das quais se fala e nas quais se acredita, destinadas a fazer desaparecer o mal. Como é possível que escape a este mal o homem que nasceu através dele? E como pode o homem ser dotado de uma livre aspiração à vida virtuosa, se a sua natureza, como o dizem, tem a sua origem no mal? Como nenhum animal irracional tenta falar como um homem e quando usa a voz que lhe é habitual e que é conforme à sua natureza não julga um castigo a falta de palavra, do mesmo modo aqueles que veem no mal a origem e a causa de sua vida não podem chegar a desejar a virtude, que se encontra fora da natureza deles. Todos aqueles que, ao contrário, purificam a alma com os próprios pensamentos cultivam e desejam a vida virtuosa. Tudo isso demonstra claramente que o mal não é mais antigo que a vida, e que A NOSSA NATUREZA NÃO SE ORIGINA: ao contrário, a iniciativa de nossa vida depende da sabedoria de Deus, que governa o universo.

LIVRO A ALMA E A RESSURREIÇÃO CAPÍTULO V. TRANSMIGRAÇÃO, PREEXISTÊNCIA E APARIÇÃO DA ALMA. INTRODUÇÃO À DOUTRINA DA RESSURREIÇÃO

Uma vez nascida segundo o modo que apraz ao Criador, a NOSSA ALMA, GRAÇAS AO SEU LIVRE-ARBÍTRIO, TEM A FACULDADE DE ESCOLHER AQUILO QUE LHE AGRADA, e de tornar-se aquilo que deseja. Esta ideia poderia ser ensinada melhor através do exemplo dos olhos: a faculdade de ver corresponde à natureza deles, enquanto o fato de que não ver depende ou da nossa vontade ou de um acidente: de fato, a função natural deles pode ser substituída por um fenômeno que é contrário à natureza, fechando os olhos voluntariamente ou quando o olho é privado da visão por causa de um acidente. Portanto, PODEMOS DIZER QUE A ALMA FOI FORMADA POR DEUS E QUE É LIVRE DA ESCRAVIDÃO DO MAL, QUE NÃO PODE SER IMAGINADO NA DIVINDADE. Uma vez nascida, porém, ELA PODE DEIXAR-SE CONDUZIR em direção ao bem ilusório ou porque fecha VOLUNTARIAMENTE os olhos à visão da verdadeira beleza, ou porque vive nas trevas e no engano, sendo a sua visão prejudicada pelas insídias do inimigo que se estabeleceu em nossa vida; ou ainda, inversamente, ELA É CAPAZ de dirigir um olhar puro para a verdade e DE AFASTAR-SE assim das paixões tenebrosas.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE PRÓLOGO

1. De outro lado, a todos aqueles que se aproximam da palavra não se aplica o mesmo método de ensino, mas convém adequar a catequese às diferentes formas de religião, tendo em vista aquilo que é o único escopo do ensino, mas sem utilizar os mesmos argumentos em cada caso. 2. De fato, as ideias de quem adere ao judaísmo são diversas daquelas de quem se formou no paganismo; e o mesmo se diga do anomeu, do maniqueu, dos sequazes de Marcião, de Valentino e de Basílides, e toda a lista restante de pessoas que andam às cegas nas heresias: em razão do fato de que cada um tem as suas concepções particulares, torna-se necessária a luta contra suas respectivas crenças, pois o tipo de remédio que se há de aplicar depende da natureza da enfermidade.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO V. O HOMEM

8. O fato de que a vida humana se desdobre atualmente em condições deformadas não é uma razão suficiente para presumir que o homem nunca possuiu esses bens. Com efeito, uma vez que o homem é obra de Deus, que trouxe este ser à existência, movido pela sua bondade, ninguém poderá imaginar, se raciocina bem, que o homem, cuja existência é fruto da bondade, tenha sido constituído no mal por culpa de seu criador: ao contrário, existe uma outra causa que determinou a nossa condição atual e nos privou de uma dignidade maior. Uma vez mais, o ponto de partida de nosso raciocínio inclui também o assentimento daqueles que nos contradizem. De fato, aquele que criou o homem para fazê-lo partícipe de seus bens e inseriu na sua natureza os princípios de todos os bens, para que, mediante cada um desses, o desejo se orientasse para o correspondente atributo divino, não tivesse podido privá-lo do MELHOR e MAIS PRECIOSO daqueles bens, quero dizer do DOM DE SUA INDEPENDÊNCIA E DE SUA LIBERDADE.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO V. O HOMEM

9. Porque, se alguma necessidade [imposta] regesse a vida do homem, A IMAGEM [DE DEUS NELE] SERIA ENGANOSA NESSA PARTE, por tê-la alterado de um elemento diverso do modelo. COMO SE PODERIA CHAMAR IMAGEM DA NATUREZA SUPREMA aquela que está subjugada e escravizada por certas necessidades? PORTANTO, o que em tudo foi feito SEMELHANTE À DIVINDADE DEVIA FORÇOSAMENTE possuir NA SUA NATUREZA UMA VONTADE LIVRE E INDEPENDENTE, de modo que a participação nos bens divinos fosse prêmio da virtude.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO V. O HOMEM

10. Mas dirás: Qual é a causa pela qual a criatura, uma vez honrada pelos melhores dons em tudo, recebeu em troca desses bens uma condição inferior? Este ponto também se explica facilmente. NENHUMA ORIGEM DO MAL TEVE O SEU PRINCÍPIO NA VONTADE DIVINA, porque a maldade fugiria da condenação, se pudesse dar a Deus o título de seu criador e patrão. Entretanto, de alguma maneira o mal nasce de dentro, PRODUZIDO PELA AÇÃO DA VONTADE, sempre que a alma se afasta do bem. Como a vista é uma atividade da natureza e a cegueira é a privação daquela atividade física, assim a mesma oposição ocorre ENTRE A VIRTUDE E O VÍCIO. Não é, de fato, possível conceber a existência do mal senão como ausência da virtude.
11. E como, ao apagar-se da luz, sobrevém a obscuridade, que não existe enquanto aquela está presente, assim também, enquanto o bem está presente em nossa natureza, o mal está privado em si de existência: é o apagar-se do elemento superior que determina a gênese do contrário. PORTANTO, UMA VEZ QUE O CARÁTER PRÓPRIO DA LIBERDADE É DE ESCOLHER LIVREMENTE O OJETO DESEJADO, a causa de teus males não é Deus, QUE FORMOU A TUA NATUREZA INDEPENDENTE E LIVRE, mas a vontade perversa que escolheu o pior em vez do melhor.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO VII. O HOMEM

4. Por conseguinte, DEUS É ESTRANHO A TODA CAUSALIDADE DO MAL, sendo criador daquilo que existe e não daquilo que não existe: Ele criou a vista e não a cegueira; suscitou a virtude e não a privação da virtude; ele dispensou como prêmio da boa vontade o dom de seus bens ÀQUELES QUE REGULAM VIRTUOSAMENTE A PRÓPRIA VIDA, sem submeter à natureza humana O JUGO DE SUA PRÓPRIA VONTADE COMO VIOLENTA NECESSIDADE, ARRASTANDO-A FORÇOSAMENTE AO BEM COMO UM OBJETO INANIMADO.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO VIII. O HOMEM

3. Quando, POR UM LIVRE MOVIMENTO DA NOSSA VONTADE, nos atraímos à participação no mal, fazendo penetrar mediante certo prazer o mal em nossa natureza como veneno misturado ao mel, caindo por isso da felicidade que nós concebemos como ausência de paixões, tenhamos suportado uma transformação em direção ao mal: por tudo isso o homem se decompõe e retorna à terra como um vaso de argila, para que, uma vez separada a impureza que traz consigo, seja reconstituído mediante a ressurreição na sua forma originária.


LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XXI - O MISTÉRIO DE DEUS

1. Que é, portanto, a justiça? Nós nos recordamos bem do que, no início de nossa exposição, foi estabelecido segundo o encadeamento normal das ideias, a saber: o homem foi criado À IMAGEM DA NATUREZA DIVINA e que CONSERVA ESTA SEMELHANÇA COM A DIVINDADE mediante os demais bens E POR SUA LIVRE VONTADE, mas é necessariamente uma natureza mutável. Não era possível, de fato, que fosse imutável aquele que devia justamente a uma mudança o princípio da sua existência. Porque a passagem do não-ser ao ser é uma forma de mudança, razão pela qual a não-existência passa à existência em virtude da potência divina; e, de outro lado, a mudança se observa necessariamente no homem, visto que o homem era uma imagem da natureza divina e uma imagem, se não apresentara alguma diferença, se identificaria absolutamente com o sujeito imitado.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XXI - O MISTÉRIO DE DEUS

3. A mudança é um movimento que tende constantemente do estado presente a outro. Há duas formas de um movimento deste gênero: uma, que tende continuamente para o bem e neste caso a progressão não admite parada uma vez que não se concebe limite algum de caminho percorrido; a outra, que consiste no movimento em direção ao oposto (o mal) e cuja essência é o de não ter existência; com efeito, a distinção entre o bem e seu contrário, como vimos anteriormente, é estabelecida em sentido análogo àquele com o qual dizemos que o que é se opõe ao que não é, e que a existência se opõe à não-existência. Ora, em razão da variabilidade e da mutabilidade das tendências e dos movimentos, a natureza não pode permanecer imutável em si mesma, mas NOSSA VONTADE não cessa de tender inteiramente para um fim, porque o desejo do bem a impele naturalmente a colocar-se em movimento.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XXX - OBJEÇÕES DOS ADVERSÁRIOS

2. Mas, deixando de lado suas objeções movidas contra este ponto acerca do ensinamento da nossa fé, OS ADVERSÁRIOS O ACUSAM DE QUE A FÉ NÃO TENHA CHEGADO EM SUA PROPAGAÇÃO A TODOS OS HOMENS. Por que razão – dizem – a graça [do Evangelho] não chegou a todos os homens, mas que, junto a certo número de homens que abraçaram a doutrina, há uma parte nada pequena que dela está excluída? DEUS TALVEZ NÃO QUISESSE DISTRIBUIR A TODOS O BENEFÍCIO generosamente ou não teve de fato o poder para isso? Nenhuma destas hipóteses está isenta de censura, POIS NÃO CONVÉM A DEUS O NÃO QUERER O BEM, nem ser incapaz de realizá-lo. OS ADVERSÁRIOS DIZEM: Se, portanto, a fé é um bem, por que a graça não chegou a todos?
3. Na realidade, se nós também afirmássemos que, segundo a nossa doutrina, A FÉ É DISTRIBUÍDA POR SORTEIO AOS HOMENS PELA VONTADE DE DEUS, de modo que alguns seriam chamados, enquanto outros não teriam parte na chamada, SERIA JUSTO PROFERIR UMA ACUSAÇÃO DO GÊNERO CONTRA A [NOSSA] RELIGIÃO; mas, SE O CHAMADO DE DIRIGE POR IGUAL A TODOS SEM DISTINÇÃO DE CLASSE, de idade ou de raça (porque já desde o início da pregação os ministros do Evangelho falaram com a língua de todos os povos por inspiração divina, para que ninguém permanecesse excluído dos benefícios deste ensinamento), como, pois, poderia alguém com razão acusar ainda a Deus de que sua doutrina não atingiu a todos?

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XXX - OBJEÇÕES DOS ADVERSÁRIOS

4. Com efeito, aquele que exerce seu livre domínio sobre todas as coisas permitiu também, por um excesso de seu apreço pelo homem, que DISPUSÉSSEMOS DE UM DOMÍNIO, DO QUAL CADA UM SERIA O ÚNICO MESTRE. TRATA-SE DA VONTADE LIVRE, faculdade isenta de escravidão E DOTADA DE AUTONOMIA, que tem seu fundamento na independência da razão. Por conseguinte, seria mais justo que tal acusação se dirigisse ÀQUELES QUE NÃO SE DEIXARAM CONQUISTAR pela fé, e não que recaia sobre AQUELE QUE CHAMOU OS HOMENS para dar o assentimento.
5. De fato, quando nos inícios Pedro proclamou a doutrina diante de uma assembleia considerável de judeus, e justamente naquela ocasião acolheram a fé umas três mil pessoas, AQUELES QUE NÃO SE DEIXARAM PERSUADIR, embora mais numerosos que os que haviam acreditado, não repreenderam o apóstolo pelo fato de não tê-los convencido a crer. Não teria sido razoável que, enquanto A GRAÇA DO EVANGELHO ERA PROPOSTA A TODOS, aquele que DELIBERADAMENTE A REPUDIAVA acusasse de seu infortúnio um outro E NÃO A SI MESMO.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XXXI - OBJEÇÕES DOS ADVERSÁRIOS
1. Mas, MESMO DIANTE DE TAIS ARGUMENTOS, os adversários não deixam de replicar com objeções capciosas. De fato, dizem que Deus, SE VERDADEIRAMENTE O QUISESSE, PODIA INDUZIR À FORÇA OS RECALCITRANTES A ACEITAR a mensagem proclamada. MAS ONDE ESTARIA NESTE CASO A LIBERDADE DE ESCOLHA? Onde estaria a virtude? Onde estaria a glória daqueles que vivem com retidão? Porque É PRÓPRIO DOS SERES INANIMADOS OU DOS IRRACIONAIS SEREM ARRASTADOS PELO CAPRICHO DE UMA VONTADE ESTRANHA. A natureza racional e pensante, ao contrário, se renuncia ao exercício da liberdade, perde instantaneamente o dom da inteligência. COM EFEITO, DE QUE LHE SERVIRIA A RAZÃO, SE A FACULDADE DE ESCOLHER SEGUNDO O PRÓPRIO JUÍZO DEPENDE DE UM OUTRO?

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XXXI - OBJEÇÕES DOS ADVERSÁRIOS

2. Ora, se a vontade livre permanece inativa, a virtude desaparece necessariamente, impedida pela inércia da vontade. E se não há virtude, a vida perde seu valor, se elimina o elogio dos que vivem com retidão, peca-se impunemente e é impossível distinguir toda diferença entre as maneiras de viver. Quem poderia ainda reprovar razoavelmente o homem dissoluto ou louvar o virtuoso? A resposta que nos restaria seria esta: NENHUMA DECISÃO DEPENDE DE NÓS, MAS [APENAS DIZER] QUE UM PODER SUPERIOR CONDUZ AS VONTADES HUMANAS A AGIR SEGUNDO O CAPRICHO DO MESTRE. Portanto, NÃO É CULPA DA VONTADE DIVINA o fato de que A FÉ NÃO TENHA se enraizado NO CORAÇÃO DE TODOS OS HOMENS, MAS DA DISPOSIÇÃO DAQUELES QUE RECEBEM A MENSAGEM EVANGÉLICA.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XXXVI - A VIDA SACRAMENTAL - O BATISMO

2. Ora, o próprio da atividade divina é obter a salvação daqueles que dela necessitam. E esta salvação se efetua mediante a purificação na água. Aquele que foi purificado participará no estado de pureza, a pureza verdadeira é a divindade. Estás vendo como o princípio é pouca coisa e fácil de realizar bem: a fé e a água; A FÉ, PORQUE ESTÁ DENTRO DE NOSSA LIVRE VONTADE; a água, porque é familiar à vida humana. Mas o bem que delas nasce é tão grande e tão precioso que implica a familiaridade com a própria divindade.


LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XXXVIII - FÉ E MISTÉRIO DA TRINDADE

(XXXVIII.2). No presente tratado, acreditamos que será bom dizer a respeito da fé só quanto está contido na palavra do Evangelho, a saber: que Aquele que é engendrado segundo a regeneração espiritual sabe por quem foi gerado e de que natureza é a sua vida. Com efeito, unicamente esta forma de geração tem O PODER DE CHEGAR A SER O QUE PRECISAMENTE ESCOLHER SER. (XXXIX.1). Enquanto os demais seres que nascem devem a sua existência ao impulso de seus progenitores, O NASCIMENTO ESPIRITUAL, AO CONTRÁRIO, DEPENDE DA VONTADE DAQUELE QUE NASCE. Mas, nesse último caso, VISTO QUE CADA UM DISPÕE DA LIBERDADE DE ESCOLHA, há o perigo de que alguém erre sobre o que é verdadeiramente conveniente, POIS A ESCOLHA É LIVRE PARA TODOS; seria bom, digo, que AQUELE QUE TENTA REALIZAR O PRÓPRIO NASCIMENTO conheça, pela reflexão, antecipadamente, a quem lhe será proveitoso ter por pai, e de quem sairá constituída a sua natureza, POIS SE DISSE QUE NESTA CLASSE DE NASCIMENTO SE ESCOLHE LIVREMENTE OS SEUS GENITORES.

LIVRO: A GRANDE CATEQUESE CAPÍTULO XL - FINS ÚLTIMOS

8. Estas são, portanto, as realidades que se oferecem à esperança da vida futura e são, segundo o justo juízo de Deus, O RESULTADO DA VIDA CONDUZIDA POR CADA UM SEGUNDO SUA LIVRE VONTADE. Dever de homens sábios é olhar, não para o tempo presente, mas para o futuro, lançar nesta vida breve e passageira as bases da felicidade inefável, e, MEDIANTE UMA ESCOLHA DE BOA VONTADE, AFASTAR-SE da experiência do mal agora, nesta vida, e depois desta vida na posse da recompensa eterna.

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Atualizado em 21/03/2026