Referências do Debate

Efraim: o Sírio, 306 d.C. – 373 d.C.

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Efraim, o Sírio, foi um teólogo, poeta e escritor prolífico da Igreja primitiva, conhecido por sua profunda espiritualidade e habilidades literárias. Nascido na cidade de Nísibis, na atual Turquia, perto da fronteira com a Síria, compôs hinos e comentários bíblicos que defendiam a ortodoxia cristã contra heresias como o Arianismo e o Gnosticismo. Seus textos, escritos em siríaco, influenciaram profundamente a tradição cristã oriental.


Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes, O Segundo Discurso

Mas, nessas questões, um argumento convincente pode ser retirado da própria criação, que foi organizada por um Criador sábio, pois, sabendo que a humanidade presumiria com seu livre-arbítrio e tentaria, por sua livre escolha, estabelecer um limite à criação... e porque não são capazes de impor tal limite à criação, eles tentaram impor um limite ao Criador por meio de disputas [teológicas]; assim como também já desejaram construir uma torre pela qual subiriam aonde não deveriam ir.

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes, O Quinto Discurso

Pois considere aqueles que cumprem o Mandamento quando o conhecem e aqueles que se rebelam contra a Lei mesmo estando familiarizados com ela. Não é por falta de conhecimento que as pessoas pecam, mas por causa da arrogância, ou de sua Natureza, como dizem os falsos Mestres, OU DE SEU LIVRE-ARBÍTRIO, COMO ENSINAM OS MESTRES VERDADEIROS.

Contra Mani – Outro Discurso Contra Mani

Portanto é sobre Doenças que estamos discutindo. As doenças do Corpo são causadas por misturas? – Que a culpa seja do Misturador! Mas as doenças da Alma são provenientes do Livre-Arbítrio? – “Que a culpa seja de quem o concedeu?”. Deus nos livre de culpar aquele que jamais deveria ser acusado, pois, os que ousam culpá-lo, são eles mesmos dignos de reprovação por acusarem aquele que é isento de culpa!

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes, O Quinto Discurso

E se os gnósticos dissessem que as almas têm Livre Arbítrio, e que este Livre-Arbítrio teria vindo do Deus Uno e Puro, mas que pela astúcia de Satanás, este Livre-Arbítrio original fora perdido... Seu Livre-Arbítrio anterior se perdeu e agora eles possuem outro tipo de livre-arbítrio, um Livre Arbítrio que não é Livre-Arbítrio. Como seria possível persuadir esta vontade que é incapaz de ser persuadida? Satanás não intoxicou as Almas por meio da imundície de sua força, de forma que a Alma não possa saber, quando pratica o Mal, que tais coisas são más.

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes, O Quinto Discurso

[Eles dizem que] se tais Entidades são boas ou más, as pessoas serão como elas. E, obviamente que um Livre Arbítrio como este não é de forma alguma Livre-Arbítrio, mas uma sombra das Entidades ou das “Naturezas vinculadas”, de modo que para onde quer que elas se voltem, este Livre-Arbítrio se movimenta com elas da mesma forma. Mas O LIVRE-ARBÍTRIO que fora criado daquilo que não existe, do nada, não tem vínculo com esse “nada”, porque ele, afinal, sequer existe. E por este motivo não se transforma numa “Sombra presa”, mas se transforma num Livre-Arbítrio independente

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

Deus nos deu uma capacidade para falar livremente assim como ele mesmo é livre. As coisas foram feitas assim para que esta liberdade de expressão pudesse SERVIR AO NOSSO LIVRE-ARBÍTRIO, que é independente. Portanto, se por ter livre arbítrio, Adão era a imagem de Deus, então é algo muito louvável quando, pelo verdadeiro conhecimento e pela verdadeira conduta, um homem reflete a imagem de Deus, pois essa independência também existe nos outros homens. Os animais não podem formar em si pensamentos puros sobre Deus, porque eles não têm a capacidade de falar, que é o que forma em nós a imagem da Verdade. Recebemos o dom da Fala para que não sejamos como animais mudos em nossa conduta, mas para que possamos, em nossas ações, assemelhar-nos a Deus, o doador da Fala. Quão grande é a Fala, um dom que veio para tornar quem a recebe como o seu Doador! Não há nada pior do que uma vontade má. Pois essa sim, é a raiz das coisas más. Pois quando não há um livre-arbítrio maligno, então, as coisas más chegam ao fim. Pois a espada mortal não pode matar sem a vontade má de seu portador.

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

E se alguém perguntar: “então, o que é a vontade?”. Devemos dizer-lhe que a grande verdade é que A VONTADE É O PODER DA LIVRE ESCOLHA. Se, portanto, alguém perguntar: “O que é esta Vontade, pois embora seja uma coisa, parte dela é boa e parte dela é má?”. Diremos a ele que isso acontece porque a vontade é assim. E se ele perguntar novamente, diremos que é uma coisa dotada de independência. E se ele insistir um tanto já descontrolado, lhe diremos que É O LIVRE-ARBÍTRIO. E se ele não estiver convencido, A SUA PRÓPRIA NATUREZA NÃO ENSINÁVEL LHE ENSINARÁ QUE O LIVRE-ARBÍTRIO EXISTE, POIS ELE MESMO NÃO QUER SER ENSINADO
Mas suponhamos que ele se convenceu quando alguém lhe disse que não existe Livre-Arbítrio, a maravilha disso é que, ao anular o Livre-Arbítrio, O SEU LIVRE-ARBÍTRIO FOI VERDADEIRAMENTE PROVADO. [A própria negação do livre arbítrio prova que ele existe.] A questão toda é como se uma pessoa eloquente quisesse ser implicante e tentar provar que os homens não têm poder de expressão, usando seu poder de expressão para tentar provar isso. Isso é uma grande loucura! Pois a pessoa diz que “não existe o poder da Fala” quando ela mesma está usando o poder da Fala para dizer que tal poder não existe. Seu poder de fala o refuta, pois por meio da Fala, ele procura provar que o poder da Fala não existe. 
Assim também, quando o Livre-Arbítrio é desprezado numa discussão e a pessoa tenta demonstrar por meio de argumentos que ele não existe, isso faz com que o Livre Arbítrio seja percebido e se veja ainda mais a sua existência. Pois SE REALMENTE NÃO HOUVESSE LIVRE-ARBÍTRIO, NÃO HAVERIA CONTROVÉRSIA, NEM PERSUASÃO. Mas se o Livre-Arbítrio se torna mais evidente quando menosprezado e obscurecido, e quando ele é usado para se negar a sua própria existência, ele se torna irrefutavelmente provado, então, quando ele aparece torna-se tão claro como o sol. 

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

Não há homem algum que tenha empreendido esforço para conquistar uma coroa com grande trabalho, devido à dura luta, para depois dizer que “não há livre-arbítrio”, isso faria com que a recompensa de seu trabalho e a glória de sua coroa fossem perdidas. O homem que falhou diz que não existe livre-arbítrio para que ele possa esconder o grave fracasso de sua vontade débil. Se você vir um homem que diz que não existe livre-arbítrio, saiba que o livre-arbítrio deste homem não desempenhou seu papel corretamente. O pecador que confessa que existe livre-arbítrio talvez possa encontrar misericórdia, pois confessou que suas loucuras são suas; mas quem nega que existe livre-arbítrio profere uma grande blasfêmia, pois sem perceber se apressa em atribuir seus vícios a Deus e procura eximir-se da culpa, para que toda a culpa recaia sobre Deus. 

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

E, se ele [o gnóstico] se recusa a ser convencido dessa forma, é porque o poder de seu livre-arbítrio é tão grande que nossa boca não consegue fazer-lhe plena justiça; nossa boca, por ser tão fraca, reconhece que é incapaz de expressar plenamente o quão forte é sua vontade irrestrita. Alguns deles dizem, “se o livre-arbítrio vem de Deus, então os impulsos bons e maus, que lhe pertencem, vêm de Deus”. Ao dizer isso, o que eles desejam dizer? Eles desejam afirmar que não existe livre-arbítrio? E se negarem o livre arbítrio, em que poderão acreditar? Pois se eles negam o livre-arbítrio, a Lei e o Ensino são inúteis, e, da mesma forma, que os livros e as leis sejam descartados, e que os juízes se levantem de seus assentos, e que os professores parem de ensinar! Que os profetas e apóstolos renunciem a seus cargos! Por que eles têm trabalhado em vão para pregar? Ou qual foi a razão da vinda do Senhor de todos ao mundo?

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

Mas se professam acreditar no Livre-Arbítrio – que é realmente o que eles dizem – esse Livre-Arbítrio em que dizem acreditar os obriga a negar o Mal em que acreditam, pois não dá para acreditar nos dois ao mesmo tempo. Afinal, ÀS VEZES PECAMOS E OUTRAS VEZES PRATICAMOS O QUE É JUSTO, O QUE PROVA QUE TEMOS LIVRE-ARBÍTRIO. Porém, quando os constituintes do bem e do mal se agitam na Vontade, acontece que um dos dois vence e outro é vencido, não a Vontade.

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

Mas se alguém diz que as agitações pelas quais passam nosso Livre-Arbítrio não pertencem ao Livre-Arbítrio, pelo seu Livre-Arbítrio, a pessoa está fazendo declarações absurdas sobre o Livre-Arbítrio. Pois como alguém pode chamar isso de Livre-Arbítrio, quando ele passa a limitá-lo de forma que não seja de fato Livre-Arbítrio? Pois o termo “Livre-Arbítrio” se autodefine, pois ele é livre e não escravo, sendo independente e não subjugado, é solto, não preso, é uma Vontade, e não uma Natureza. E assim quando alguém fala de “Fogo”, seu calor é declarado pela própria palavra, e pela palavra “Neve”, seu frescor é trazido à mente, da mesma forma, pela expressão “Livre-Arbítrio”, sua independência é subentendida. Mas se alguém disser que os impulsos que nele se agitam não pertencem ao próprio livre-arbítrio, na verdade estará desejando chamar o livre-arbítrio de uma “natureza subjugada”, quando a expressão em si não convém a uma “natureza”. E percebe-se que a pessoa não entende o que é o Livre-Arbítrio, e usa a expressão precipitadamente e tolamente, sem estar familiarizada com sua força.  

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

DEUS NOS DEU O LIVRE-ARBÍTRIO, que, por sua permissão, recebe impulsos bons e maus, e além disso, nos deu uma Lei para que não praticássemos aqueles Males que, por sua permissão, se agitam invisivelmente em nosso livre-arbítrio. Por um momento, suponhamos que Deus pudesse ter tido os meios para nos dar o Livre-Arbítrio, mas ele não quis concedê-lo, embora tivesse condição de o conceder a nós, ou suponhamos que Deus pode não ter tido os meios para nos dar o Livre-Arbítrio, e por esta razão, ele foi incapaz de o conceder a nós. De uma forma ou de outra, a pergunta é: Como aquele que foi incapaz de nos dar o livre-arbítrio, foi capaz de nos dar uma Lei quando não temos livre-arbítrio para obedecer?

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

E se não existe Livre-Arbítrio, esta própria Controvérsia na qual estamos envolvidos a respeito do Livre-Arbítrio, não testemunha que temos Livre-Arbítrio?

Refutações em prosa de Santo Efraim contra Mani, Marcião e Bardesanes O Primeiro Contra os Falsos Mestres

Examine todas as variações que mencionei acima e veja que elas não existem em nenhuma “natureza fixa”, nem no mar, nem na terra seca, nem nos luminares, nem nas estrelas, nem nas árvores, nem nas raízes; nem mesmo nos animais – e ainda que existam sensações nos animais – se os falcões são aves de rapina, todos falcões são aves de rapina; se os lobos são destrutivos, são todos devastadores; e se os cordeiros são inofensivos, são todos inocentes, e se as serpentes são astutas, essa sutileza pertence a todas; mas o homem, devido ao seu livre-arbítrio, pode ser como todos eles, enquanto eles não podem tornar-se como o homem. Por isso eles têm uma “Natureza fixa”, ENQUANTO NÓS TEMOS O LIVRE-ARBÍTRIO.

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Atualizado em 18/03/2026