Eusébio foi bispo da Igreja na época primitiva da sua história, e é considerado como “o pai da história cristã” devido à extensão de seus trabalhos sobre o tema. Porém, ele também escreveu outras obras sobre variados assuntos, e assim como a maioria esmagadora dos primeiros escritores cristãos, também tratou da importância do livre-arbítrio em diversos escritos.
Tratado Contra a Vida de Apolônio de Tiana, VI
Segue-se que o controlador deste universo, sendo bom, não cuidará apenas dos nossos corpos, mas muito mais das nossas almas, ÀS QUAIS CONFERIU O PRIVILÉGIO da imortalidade e DO LIVRE-ARBÍTRIO.
Tratado Contra a Vida de Apolônio de Tiana, XLII
O universo é ordenado pelas leis divinas da providência de Deus que controla todas as coisas, e a natureza peculiar da alma do homem o torna mestre, governante, senhor e juiz de si mesmo; e ensina-lhe, através das leis da natureza (...) que das coisas que existem, algumas estão sob nosso próprio controle, mas outras não; e sob nosso controle está tudo o que surge de acordo com nossa vontade, escolha e ação, e estas são naturalmente livres, desimpedidas e sem travas. Quanto às coisas que estão sob nosso controle, cada um de nós possui na própria vontade impulsos alternativos de virtude e vício; e embora o princípio que controla e governa o universo execute suas rondas em conformidade direta com a natureza, ao mesmo tempo também sempre está acompanhado pela justiça que pune as infrações da lei divina; mas com base nos motivos pelos quais agimos, a responsabilidade não cabe à sorte ou ao destino, nem mesmo a qualquer necessidade sobrenaturalmente imposta. A RESPONSABILIDADE CABE A QUEM FAZ A ESCOLHA, e não se deve culpar a Deus por isso. Portanto, se alguém for tão imprudente a ponto de contestar o fato de nossa responsabilidade, que ele seja devidamente exposto e deixe-o proclamar abertamente que é ateu, visto que ele não reconhece nem a providência, nem Deus, nem qualquer outra coisa, exceto o destino e os impulsos sobrenaturalmente impostos.
Preparação para o Evangelho, Livro VI, VI
O Criador de todas as coisas imprimiu uma lei natural na alma de todo homem, como assistente e aliada na conduta, apontando-lhe o caminho certo por meio desta lei; mas, pela LIVRE LIBERADE DE QUE É DOTADO, ele faz a escolha do que é mais digno de louvor e aceitação, e de maiores recompensas, por meio de sua boa conduta, pois tem agido corretamente, não por força, mas por SEU PRÓPRIO LIVRE ARBÍTRIO, mesmo quando estava sob seu poder agir de outra forma.
Da mesma forma, AQUELE QUE ESCOLHE o pior é culpado e merecedor de punição, pois, POR SUA PRÓPRIA INICIATIVA, negligenciou a lei natural, e tornou-se a origem e fonte da maldade, abusando de si próprio, não por qualquer necessidade sobrenaturalmente imposta, alheia a si mesmo, mas POR SEU JULGAMENTO E LIVRE-ARBÍTRIO.
A CULPA É DE QUEM ESCOLHE, não de Deus. Pois Deus não fez má a natureza ou a substância da alma, isso porque aquele que é bom, não pode fazer outra coisa a não ser aquilo que é bom. Tudo o que está de acordo com a natureza é bom. TODA ALMA RACIONAL POSSUI NATURALMENTE UM BOM LIVRE ARBÍTRIO, criado para escolher aquilo que é bom. Porém, quando um homem age erradamente, a culpa não é da natureza; pois O ERRO NÃO OCORRE DE ACORDO COM A NATUREZA, e sim CONTRARIAMENTE À NATUREZA, pois É UMA AÇÃO DA ESCOLHA, e não da natureza.
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