Referências do Debate

Arquelau, 227 d.C.

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Arquelau, como alguns outros desta lista, também se envolveu pessoalmente em disputas e debates contra o pensamento gnóstico. Ele ocupou a posição de Bispo na região Norte da Mesopotâmia e conduziu um debate público com o próprio Mani em pessoa (aquele a quem se atribui a criação do seguimento gnóstico chamado de Maniqueísmo). A data exata deste debate parece não ser precisa, mas alguns sugerem a possibilidade de ter sido por volta de 278 d.C

Atos da Disputa com Mani, 15

Parece-me que este homem [Mani] está mais cheio de loucura do que de prudência, e que hoje suscitaria comigo uma polêmica porque por acaso falei do adversário. Mas esta sua objeção pode ser removida com poucas palavras, apesar de você ter suposto, por causa da expressão que usei, que eu iria admitir que existem essas duas naturezas [que você fala]. Você apresentou uma doutrina muito extravagante e nenhuma das afirmações feitas por você tem qualquer proveito. Porque é bem possível que alguém que é adversário, não por natureza, mas por determinação, se torne amigo e deixe de ser adversário, e assim, quando um de nós concordar com o outro, nós dois pareceremos ser, por assim dizer, um igual ao outro. Este relato também indica que ÀS CRIATURAS RACIONAIS LHES FOI CONFIADO O LIVRE-ARBÍTRIO, em virtude do qual também se admite a possibilidade de duas naturezas não geradas [e imutáveis]. O que você diz, então? Essas duas naturezas são inconversíveis? Ou são conversíveis? Ou apenas uma delas pode se converter? Mani, porém, conteve-se, porque não encontrou uma resposta adequada.

Atos da Disputa com Mani, 32

Pois todas as criaturas que Deus fez, ele as fez muito boas; e ELE DEU A CADA INDIVÍDUO O SENSO DE LIVRE-ARBÍTRIO, de acordo com o qual ele também instituiu a lei do julgamento. QUANDO PECAMOS É NOSSA CULPA, e quando não pecamos é uma dádiva divina, pois nossa vontade foi constituída de forma A PODER ESCOLHER pecar ou não pecar.

Atos da Disputa com Mani, 32

Portanto, como certos homens estavam inclinados a obedecer aos seus desejos, o Salvador dirigiu-se a eles nestes termos: “Vós tendes por pai, o diabo, e quereis satisfazer-lhe os desejos”. E, quando, finalmente, eles já estão de fato realizando a vontade dele, eles são abordados da seguinte forma: “Ó geração de víboras, quem vos advertiu para fugir da ira vindoura? Produzi, portanto, frutos dignos de arrependimento”. A partir de tudo isso, então, vocês podem ver quão IMPORTANTE É PARA O HOMEM TER LIBERDADE DE ARBÍTRIO. No entanto, que meu antagonista aqui diga, se há ou não, um julgamento para os piedosos e para os ímpios.

Atos da Disputa com Mani, 32

Cada criatura tem sua própria ordem; e há uma ordem para a raça humana, e outra para os animais, e outra para os anjos. Além disso, existe apenas uma substância imutável, inconversível, a substância divina, eterna e invisível.

Atos da Disputa com Mani, 32

E aquele anjo que foi lançado à terra, não encontrando mais aceitação em nenhuma das regiões do céu, agora se vangloria entre os homens, enganando-os e induzindo os a se tornarem transgressores como ele, e até hoje ele é adversário dos mandamentos de Deus. O exemplo de sua queda e ruína, porém, não será seguido por todos, UMA VEZ QUE CADA UM FOI DADA A LIBERDADE DE VONTADE.

Atos da Disputa com Mani, 33

Os juízes disseram: “Como ambos os lados admitem que haverá um julgamento, então está intrinsecamente ligado a esta admissão que TODOS OS INDIVÍDUOS DEMONSTRAM TER LIVRE ARBÍTRIO, e uma vez que isso está evidentemente claro, não pode haver dúvidas de que todos os indivíduos, no exercício apropriado de seu próprio poder de vontade, podem sim, moldar o seu curso em qualquer direção que desejarem”.

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Atualizado em 18/03/2026
Arquelau, 227 d.C. | Natan Rufino