Referências do Debate

Clemente de Alexandria, 153 d.C. – 217 d.C.

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Este Clemente, diferentemente do Clemente Romano, fez seu nome conhecido enquanto fora residente na grande cidade cosmopolita do norte da África. Na época, Alexandria havia se tornado uma cidade marcada pela profunda especulação cristã, e boa parte disso se devia à própria comunidade cristã lá residente. Alexandria foi uma das principais sedes desta especulação filosófica e religiosa que misturava filosofias gregas deterministas, paganismo e a fé cristã, que, posteriormente foi conhecida como Gnosticismo. Os famosos gnósticos Basílides e Valentino, por exemplo, ensinaram lá. Não era incomum, portanto, encontrar cristãos afetados pela influência das filosofias gnósticas, e, consequentemente, também havia uma massiva produção literária por parte dos mestres da Igreja combatendo suas interpretações.


Stromata, I.16, I.17

 A filosofia helênica, então, segundo alguns, apreendeu a verdade acidentalmente, vagamente, parcialmente. Outros afirmam que ela foi instigada pelo diabo. Vários supõem que certos poderes, descendo do céu, inspiraram toda a filosofia . Mas se a filosofia helênica não compreende toda a extensão da verdade, e além disso, é destituída de força para cumprir os mandamentos do Senhor, ainda assim prepara o caminho para o ensinamento verdadeiramente real; treinando de uma forma ou de outra, moldando o caráter e capacitando aquele que crê na Providência para a recepção da verdade [...] (I.17) Mas, dizem eles, está escrito: "Todos os que vieram antes do Senhor eram ladrões e salteadores" [...] "a filosofia", dizem, "não foi enviada pelo Senhor, mas sim roubada ou dada por um ladrão". Foi então algum poder ou anjo que aprendeu algo da verdade, mas não se fixou nela, que inspirou e ensinou essas coisas, não sem o conhecimento do Senhor, que conhecia antes da constituição de cada essência as questões do futuro, mas sem a sua proibição.

Stromata, I.17

Pois aquele roubo, que na ocasião atingiu os homens, teve alguma vantagem; não que aquele que o perpetrava tivesse utilidade em seus próprios olhos, mas a Providência [divina] direcionou o resultado do ato audacioso para o que fosse útil. SEI QUE MUITOS NOS ATACAM PERPETUAMENTE COM A ALEGAÇÃO DE QUE NÃO IMPEDIR QUE ALGO ACONTEÇA É SER A CAUSA DE TAL ACONTECIMENTO. Pois dizem que o homem que não toma precauções contra um roubo, ou não o impede, é a causa dele: assim como é a causa da conflagração quem não a extingue no início; e o capitão do navio que não recolhe as velas é a causa do naufrágio. Certamente, aqueles que são AS CAUSAS de tais eventos são punidos pela lei. Pois a quem tinha o poder de impedir recai a culpa do que acontece. Dizemos-lhes que a causalidade se vê no fazer, no agir, no operar; MAS O NÃO IMPEDIR É, NESSE ASPECTO, INOPERANTE. Além disso, a CAUSALIDADE se liga à ATIVIDADE; como no caso do construtor naval em relação à origem da embarcação, e do construtor em relação à construção da casa. MAS AQUILO QUE NÃO IMPEDE ESTÁ SEPARADO DO QUE ACONTECE. Portanto, o efeito será alcançado, porque aquilo que poderia ter impedido não age nem impede. Pois que atividade exerce aquilo que NÃO impede?

Stromata, I.17

Ora, SUA AFIRMAÇÃO SE REDUZ AO ABSURDO, SE DISSEREM QUE A CAUSA DO FERIMENTO NÃO FOI O DARDO, MAS O ESCUDO, QUE NÃO IMPEDIU A PASSAGEM DO DARDO; e se não culparem o ladrão, mas o homem que não impediu o roubo. Digam então que não foi Heitor quem incendiou os navios dos gregos, mas Aquiles; porque, tendo o poder de impedir Heitor, não o impediu; mas, por ira (e dependia dele estar irado ou não), não conteve o fogo, sendo uma causa concorrente. Ora, o diabo, possuindo livre-arbítrio, seria capaz tanto de se arrepender quanto de roubar; e ele seria o autor do roubo, não o Senhor, por não impedi-lo.

Stromata, I.17

Mas, se for preciso tratar do assunto com estrita exatidão, saibam que aquele que não impediu o que aconteceu no roubo não é sua causa de forma alguma; já o que impede algo de acontecer está implicado em ser ele a causa do não acontecimento. Afinal, aquele que protege com um escudo é a causa de que aquele a quem protege não seja ferido; pois pelo que faz, o impede de ser ferido.

Stromata, I.17

Nem louvores nem censuras, nem recompensas nem castigos, seriam justos SE A ALMA NÃO TIVESSE O PODER DE INCLINAR-SE OU DESVIAR-SE; nesse caso, o mal seria involuntário. Por isso, quem age impedindo é a causa de não ter acontecido o que impediu; quem não impede, apenas julga com justiça a ESCOLHA DA ALMA. Por isso, em nenhum aspecto Deus é autor do mal. Mas, COMO É LIVRE A ESCOLHA E A INCLINAÇÃO que dão origem aos pecados, e às vezes um julgamento equivocado prevalecejulgamento esse que, por ignorância e tolice, não nos damos ao trabalho de abandonar —, as punições são aplicadas com razão. Contrair febre é involuntário; mas se alguém a contrai por excesso e culpa própria, nós o censuramos. Assim, o mal é involuntário — ninguém escolhe o mal enquanto mal; mas, atraído pelo prazer que ele traz e imaginando-o como algo bom, considera-o desejável. Sendo assim, DEPENDE DE NÓS MESMOS LIVRAR-NOS DA IGNORÂNCIA, do mal E DA ESCOLHA voluptuosa; acima de tudo, cabe a nós reter o assentimento diante dessas fantasias enganosas.

Stromata, I.17

Nada resiste a Deus; nada se opõe a ele, pois ele é Senhor e onipotente. Além disso, os conselhos e as ações daqueles que se rebelaram, sendo parciais, procedem de uma má índole, como as doenças corporais procedem de uma má constituição, mas são guiados pela Providência universal para um desfecho salutar, AINDA QUE A CAUSA SEJA PRODUTORA DE DOENÇA. Portanto, a maior conquista da divina Providência é não permitir que o mal, ORIGINADO DA APOSTASIA VOLUNTÁRIA, permaneça inútil e sem propósito, e não se torne prejudicial em todos os aspectos. Pois é obra da sabedoria, excelência e poder divinos NÃO APENAS FAZER O BEM (pois esta é, por assim dizer, a natureza de Deus, assim como é do fogo aquecer e da luz iluminar), MAS ESPECIALMENTE ASSEGURAR QUE O QUE ACONTECE por meio dos males tramados por alguém POSSA TER UM RESULTADO BOM E ÚTIL, e usar em benefício próprio aquilo que aparenta ser mal, bem como o testemunho que advém da tentação.
Existe, então, na filosofia , embora roubada como o fogo por Prometeu, uma tênue faísca, capaz de ser avivada em chama, um traço de sabedoria e um impulso de Deus. Bem, que assim seja, "os ladrões e salteadores são os filósofos entre os gregos", que dos profetas hebreus, antes da vinda do Senhor, receberam fragmentos da verdade, não com pleno conhecimento, e os reivindicaram como seus próprios ensinamentos, disfarçando alguns pontos, tratando outros sofisticamente por sua engenhosidade e descobrindo outras coisas, pois talvez tivessem o espírito de percepção. Aristóteles também concordou com as Escrituras e declarou que a sofística roubou a sabedoria, como já mencionamos.

Stromata, Livro II.3

“Ora, os seguidores de Basilides consideram a fé como algo natural, e também a atribuem à escolha, mas apresentando-a como a apreensão de ideias por compreensão intelectual sem necessidade de demonstração prática. Já os seguidores de Valentino atribuem a fé a nós, os simples [psíquicos], mas afirmam que o conhecimento BROTA ESPONTANEAMENTE NELES mesmos (que são salvos por natureza [pneumáticos]) graças à vantagem de uma semente de excelência superior, dizendo que o conhecimento está tão distante da fé quanto o espiritual está distante do animal. Além disso, os seguidores de Basilides dizem que tanto a fé quanto a escolha são apropriadas em cada intervalo [de existência], e que, em consequência da seleção supramundana, a fé mundana acompanha toda a natureza, e que o dom gratuito da fé está em conformidade com a esperança de cada um. ASSIM, A FÉ JÁ NÃO É MAIS O RESULTADO DIRETO DA LIVRE ESCOLHA, se for uma vantagem natural [dos pneumáticos]. Portanto, aquele que não creu não será o autor de sua incredulidade e não receberá a recompensa devida; e aquele que creu não é a causa de sua crença. Toda a peculiaridade e diferença entre crença e incredulidade não cairá sob louvor ou censura, se refletirmos corretamente, POIS A ELAS ESTÁ LIGADA UMA NECESSIDADE NATURAL ANTERIOR, procedente do Todo-Poderoso. E SE SOMOS PUXADOS COMO COISAS INANIMADAS PELOS CORDÕES DE MARIONETES de tais forças naturais, então vontade e não-vontade, bem como o impulso que precede ambas, tornam-se meras redundâncias. QUANTO A MIM, SOU COMPLETAMENTE INCAPAZ DE CONCEBER UM SER VIVO CUJOS APETITES, MOVIDOS POR CAUSAS EXTERNAS, ESTEJAM SOB O DOMÍNIO de uma NECESSIDADE [sobrenaturalmente imposta]. E que lugar resta ainda para o arrependimento daquele que outrora foi incrédulo, pelo qual vem o perdão dos pecados? ASSIM, NEM O BATISMO SERIA RACIONAL, nem o selo bendito, nem o Filho, nem o Pai. Mas Deus, ao que parece, ACABA SE REDUZINDO A UMA MERA DISTRIBUIÇÃO DE PODERES NATURAIS AOS HOMENS [base do predestinismo gnóstico], sem que a FÉ VOLUNTÁRIA sirva de fundamento para a salvação.

Stromata, Livro II.4

Nós, porém, que OUVIMOS PELAS ESCRITURAS QUE O LIVRE-ARBÍTRIO DE ESCOLHER E RECUSAR FOI DADO PELO SENHOR AOS HOMENS, repousamos no critério infalível da fé, manifestando um espírito voluntário, pois escolhemos a vida e cremos em Deus por meio de sua voz. E aquele que creu no Verbo sabe que a coisa é verdadeira; pois o Verbo é a verdade. Mas aquele que não creu naquele que fala, não creu em Deus.

Stromata, Livro II.14

"O que é involuntário não é matéria para julgamento [....] As coisas, então, que dependem da escolha estão sujeitas para julgamento".

Stromata, Livro II.15

Mas a aplicação ao treino de nós mesmos, e a submissão aos mandamentos, ESTÁ EM NOSSO PRÓPRIO PODER; com os quais, SE NÃO QUISERMOS TER NADA A VER, abandonando-nos totalmente à luxúria, pecamos, ou melhor, prejudicamos nossa própria alma.

Stromata, Livro III.1.3

Citei estas observações para provar que estão errados aqueles [gnósticos] Basilidianos que não vivem puramente, supondo, ou que têm o poder de até cometer pecado por causa da sua perfeição, ou que serão salvos por sua natureza [pneumática] mesmo que pequem nesta vida, PORQUE ELES POSSUEM UMA “ELEIÇÃO INATA”.

Stromata, Livro III.2

E como ele é Salvador e Senhor, senão o Salvador e Senhor de todos? Mas ele é o Salvador daqueles que creram, POIS DESEJARAM TER O CONHECIMENTO; e ele é o Senhor daqueles que não creram, até que, ao serem capazes de confessá-lo, obtenham o benefício peculiar e apropriado que vem por meio dele.

Stromata, Livro III.4.30

Estas são também as doutrinas dos adeptos de Pródico, que falsamente se intitulam gnósticos, afirmando que são por natureza filhos do primeiro Deus. Mas eles abusam de seu nascimento nobre, de sua liberdade e de sua vida como desejam. E o desejo deles é o prazer, pensando que ninguém é superior a eles, pois são (...) filhos reais muito acima do resto da humanidade. Para um rei, dizem, não há lei prescrita.

Stromata, Livro III.4.31

O Senhor disse: “Mas eu vos digo: não cobiçareis”. Como aquele que se rende a todos os desejos poderia viver segundo a vontade de Deus? E cabe ao homem decidir se É POR SEU PRÓPRIO LIVRE-ARBÍTRIO QUE ELE PODE PECAR e deve estabelecer isto como um princípio, POIS, se alguém comete adultério e deleita-se no pecado e rompe o casamento de outros homens, FAZENDO ISSO CONTRA SUA PRÓPRIA VONTADE, então, não deveríamos ter pena dele?

Stromata, Livro III.5

Ora, se tudo é permitido, evidentemente também o é ser moderado e temperante. Assim como, portanto, é digno de louvor aquele que usou sua liberdade para viver segundo a virtude, muito mais é venerável e adorável AQUELE QUE NOS DEU O LIVRE ARBÍTRIO E CONCEDEU VIVERMOS COMO QUEREMOS, pois não permitiu que NOSSA ESCOLHA e nossa abstenção servissem necessariamente a ninguém. E ainda que ambas as coisas sejam seguramente verdadeiras, nem por isso aquele que escolheu a incontinência quanto aquele que escolheu a continência, sejam igualmente honestos e decorosos. Pois AQUELE QUE SE ENTREGOU aos prazeres gratifica o corpo; o temperante, porém, liberta a alma, senhora do corpo, das perturbações. E se dizem que fomos chamados à liberdade, "somente não useis da liberdade para dar ocasião à carne", segundo o entendimento do Apóstolo.

Stromata, Livro III.5.41

Portanto, se alguém que USA SEU PODER PARA VIVER UMA VIDA VIRTUOSA recebe elogios, então muito mais digno de reverência e honra é AQUELE QUE NOS DEU ESSE PODER SOBERANO E LIVRE, que, POR MEIO DAS NOSSAS AÇÕES DE ESCOLHA E DE REJEIÇÃO, NOS PERMITIU VIVER COMO ESCOLHEMOS, não nos deixando ser escravizados ou sujeitos às necessidades [impostas pelo destino].

Stromata, Livro III.9.66

Pois com esta afirmação ele também indica que se somos continentes ou casados É UMA QUESTÃO DE NOSSA LIVRE ESCOLHA e que não existe absolutamente nenhuma proibição que nos imponha a continência como uma necessidade.

Stromata, Livro IV.13

Que não nos chamem, pois, os supramencionados [gnósticos], a título de reprovação, de psíquicos, homens naturais, nem tampouco os frígios; pois estes agora denominam de psíquicos aqueles que não aderem à nova profecia, com os quais discutiremos em nossas observações sobre a Profecia. O homem perfeito, portanto, deve praticar o amor e, daí, apressar-se para a amizade divina, cumprindo os mandamentos por amor. E AMAR OS INIMIGOS NÃO SIGNIFICA AMAR A MALDADE, ou a impiedade, ou o adultério, ou o roubo; MAS SIM O LADRÃO, O ÍMPIO, O ADÚLTERO, não na medida em que ele peca e no tocante às ações pelas quais mancha o nome de homem, mas na medida em que é um homem, e obra de Deus. Certamente, O PECADO É UMA ATIVIDADE, não uma existência: e, PORTANTO, NÃO É UMA OBRA DE DEUS. Ora, os pecadores são chamados inimigos de Deus — inimigos, isto é, dos mandamentos que não obedecem, assim como aqueles que obedecem se tornam amigos, uns assim nomeados por sua comunhão, os outros por seu afastamento, que resulta do livre-arbítrio; pois não há nem inimizade nem pecado sem o inimigo e o pecador. E o mandamento de não cobiçar coisa alguma, não como se as coisas desejáveis não nos pertencessem, não nos ensina a não alimentar desejo, como supõem aqueles [gnósticos] que ensinam que o Criador é diferente do primeiro Deus, não como se a criação fosse repugnante e má (pois tais opiniões são ímpias). Mas dizemos que as coisas do mundo não são nossas, não como se fossem monstruosas, não como se não pertencessem a Deus, o Senhor do universo, mas porque não permanecemos entre elas para sempre...

Stromata, Livro V.1

Mas como alguns são incrédulos e alguns são contestadores, nem todos alcançam a perfeição do bem. Pois também NÃO É POSSÍVEL ALCANÇÁ-LO SEM O EXERCÍCIO DA LIVRE ESCOLHA.

Stromata, Livro V.1

Se alguém por sua própria natureza conhece a Deus, como pensa Basílides, que chama a fé de uma inteligência de ordem superior... e diz que A FÉ NÃO É A ACEITAÇÃO RACIONAL DA ALMA EXERCENDO O LIVRE-ARBÍTRIO, mas uma espécie de beleza indefinida QUE PASSA A PERTENCER À CRIATURA DE FORMA IMEDIATAsignifica que os preceitos tanto do Antigo quanto do Novo Testamento são todos supérfluos, SE, DE FATO, alguém será salvo por sua natureza [pneumática], como Valentino costuma dizer, e se tal pessoa será um crente e eleito por tal natureza [pneumática], como Basílides pensa.

Stromata, Livro V.13

Tudo, portanto, que cai sob um nome, tem origem, quer queiram ou não. Seja, então, que o próprio Pai atraia para si todo aquele que levou uma vida pura e chegou à concepção da natureza bem-aventurada e incorruptível; seja que O LIVRE-ARBÍTRIO QUE ESTÁ EM NÓS, ao alcançar o conhecimento do bem, salte e transponha as barreiras, como dizem os ginastas; ainda assim, não é sem uma graça eminente que a alma ganha asas, eleva-se e voa acima das esferas superiores, deixando de lado tudo o que é pesado e entregando-se ao elemento que lhe é afim. Platão também, no Mênon, diz que a virtude é dada por Deus, como mostram as seguintes expressões: “Deste argumento, portanto, ó Mênon, demonstra-se que a virtude vem aos que a possuem por providência divina”. Não é curioso que a disposição gnóstica que chegou a todos seja chamada enigmaticamente de providência divina? E ele acrescenta de forma mais explícita: “Se, pois, neste tratado inteiro investigamos bem, resulta que a virtude não é por natureza, nem é ensinada, mas é produzida pela providência divina, não sem inteligência, naqueles em quem ela se encontra”. A sabedoria que é dada por Deus, como sendo o poder do Pai, desperta de fato o nosso livre-arbítrio, admite a fé e recompensa a aplicação dos eleitos com a sua comunhão coroada.

Stromata, Livro V.14

Platão, no que segue, apresenta uma demonstração do livre-arbítrio: A virtude não reconhece senhor; e na medida em que cada um a honra ou desonra, nessa mesma medida será participante dela. A culpa reside no exercício da livre escolha. Mas Deus é isento de culpa. Pois Ele nunca é o autor do mal.


Stromata, Livro VI.11

Primeiro, que eles tropeçam em relação à MAIS ELEVADA DAS COISASa saber, O LIVRE ARBÍTRIO DA MENTE.

Stromata, Livro VI.11

Com esta consideração soluciona-se a questão proposta pelos hereges: Adão foi criado perfeito ou imperfeito? Ora, se imperfeito, como poderia a obra de um Deus perfeito — sobretudo sendo essa obra o homem — ser imperfeita? E se perfeito, como transgrediu ele os mandamentos? Pois eles ouvirão de nós que ele não era perfeito em sua criação, mas adaptado para a recepção da virtude. É de grande importância, no que concerne à virtude, SER FEITO APTO PARA ALCANÇÁ-LA. E está previsto que devamos ser salvos por nós mesmos. Esta, então, é a natureza da alma: MOVER-SE POR SI MESMA. Assim, como somos racionais, e a filosofia sendo racional, temos alguma afinidade com ela. Ora, uma aptidão é um movimento em direção à virtude, não a virtude em si. TODOS, portanto, como disse, SÃO NATURALMENTE CONSTITUÍDOS PARA A AQUISIÇÃO DA VIRTURDE.



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Atualizado em 21/03/2026