Contra Celso - Livro VI.24
Julgando por estas palavras, creio poder conjecturar que ele tirou sua descrição parcialmente das doutrinas obscuras e mal compreendidas da seita dos ofitas.
Os "ofitas" mencionados acima, faziam parte de um dos inúmeros seguimentos gnósticos do Cristianismo. Seu nome vem da palavra grega para "serpente" (óphis - ὄφις), de onde também temos em português o soro "antiofídico". Os gnósticos ofitas acreditavam que estavam presos em um mundo totalmente depravado e corrompido, criado e administrado por um deus enganador e mau, e que numa das primeiras manifestações da graça de Deus na história, o próprio Cristo teria tentado se comunicar com Adão e Eva através da serpente do paraíso para abrir seus olhos para a realidade que lhes estava encoberta. Neste sentido, Cristo, manifesto pela primeira vez no mundo como serpente, tentou libertar os homens da ignorância para lhes conferir o conhecimento supostamente correto e mais profundo sobre o bem e o mau.
Além destes, outros grupos gnósticos também f icaram conhecidos, tais como os “Setianos” ou “Setitas”, cujas interpretações remetiam à suposta importância espiritual de Sete, filho de Adão, de quem alegavam ser descendentes espirituais. Os “Naassenos”, “Mandeanos”, “Peratas” e os “Borboritas”, eram todos considerados como seitas “Ofitas”.
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