A palavra é uma transliteração de um termo grego que significa "plenitude". Era usada pelos gnósticos para designar o reino divino perfeito, luminoso e eterno no mais alto céu. Seria o domínio do Deus supremo, o Deus verdadeiro, o Proto-Pai, também chamado de "o Uno" ou "Monad".
Além de ser o lugar de habitação de Deus, o Pleroma também era o lugar de moradia das entidades divinas deste reino de luz superior, que eram chamados de Eons, Aions ou Eões, vai depender da tradução em cada texto. Os Eons existiam em Sizígias, ou pares, duplas, como casais. Uma das Sizígias mais famosas no contexto cristão do Gnosticismo era a Sizígia de Cristo e Sofia, pois o Demiurgo, o deus criador e controlador deste mundo corrompido e depravado, seria filho de Sofia e enteado de Cristo. Porém, como o Demiurgo estaria prendendo aqui na terra as almas de alguns dos outros filhos divinos de Sofia, Cristo teria vindo ao mundo para libertá-los. Ou seja, Cristo não teria vindo para salvar todos os homens, ele teria vindo com uma missão muito específica: resgatar e salvar apenas aqueles que seriam possuidores da centelha divina, os pneumáticos. Estes eram aqueles a quem os gnósticos chamavam de eleitos e predestinados.
Enquanto no Pleroma reina a harmonia total, a luz pura e a unidade divina, sem matéria, sofrimento ou imperfeição, o oposto desta realidade é vista aqui neste mundo material, corrompido e depravado por refletir aspectos do seu criador, o Demiurgo. Neste sentido, como já foi dito, o objetivo da salvação gnóstica seria retornar à plenitude do Pleroma por meio deste conhecimento supostamente mais profundo sobre a vida, o mundo e Deus. Como em grego uma das palavras para conhecimento é gnosis, acabou que este seguimento cristão se tornou conhecido como Gnosticismo e seus adeptos foram chamados de gnósticos. No entanto, você vai encontrar diversos textos cristãos antigos que os combatiam chamando-os de "falsos gnósticos", enquanto os cristãos ortodoxos eram considerados como "os verdadeiros gnósticos". Abordagem semelhante àquela feita por Paulo em 1ª Timóteo 6.20: "Timóteo, guarde aquilo que Deus lhe confiou. Evite discussões profanas e tolas com aqueles que se opõem a você com suposto conhecimento". Outras versões diriam: "As contradições do conhecimento, como falsamente lhe chamam".
Kenoma
Apenas a título de informação, assim como havia o Pleroma, também existia o conceito gnóstico de Kenoma, palavra grega que significaria algo como "vazio" ou "deficiência". Seria uma referência ao mundo material visível, o cosmos inferior oposto ao Pleroma. É o reino da matéria, da ignorância, do sofrimento e da imperfeição, criado ou organizado pelo Demiurgo. Enquanto o Pleroma é plenitude e luz, o Kenoma representa o vazio espiritual, o caos e a ausência de divindade plena.
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