Referências do Debate

Estoicismo

O Estoicismo esteve entre as mais influentes filosofias do mundo grego da antiguidade. A filosofia estoica ensinava que todo e qualquer minúsculo evento no universo seria controlado pelo destino. Lúcio Sêneca, um dos filósofos do Estoicismo, havia dito, que “o destino conduz o disposto e arrasta o relutante”.

Os estoicos acreditavam numa espécie de ordenamento universal da natureza e do cosmos de acordo com a sabedoria e propósito do "logos". Defendiam que o logos seria a razão divina universal que permeia todas as coisas. Não acreditavam na possibilidade de acaso e defendiam que tudo que acontece segue uma sucessão interminável de causa e efeito dentro de uma cadeia orquestrada pela sabedoria divina.

De forma enigmática e contraditória, os estoicos costumavam se apresentar como defensores da liberdade humana, porém, eles acreditavam que a capacidade inata do ser humano de fazer escolhas era defeituosa, e, por isso, o homem, por si mesmo, sempre faria escolhas ruins. A verdadeira sabedoria estoica seria aquela que levava o homem a aceitar os acontecimentos da vida com imparcialidade por saber que tudo faz parte de um plano maior.

Embora valorizassem a moral, a ética e os bons costumes, paradoxalmente também acreditavam que o homem não tem de fato livre-arbítrio. O Estoicismo defendia um tipo de livre-arbítrio bastante peculiar, pois afirmava que o homem "tem livre-arbítrio para fazer o que já estava determinado". Uma alegoria famosa usada no Estoicismo para descrever esse tipo de livre-arbítrio, que na verdade não é livre, era a de um cachorro amarrado a uma carroça. Eles diziam que o cachorro tem livre-arbítrio para seguir a carroça ou ser arrastado por ela. Também diziam que o destino se impõe sobre as pessoas e cada uma age de acordo com sua própria natureza predefinida. Um dos exemplos usados seria o seguinte: Se você exerce uma força empurrando um cilindro, ele rolará para frente por causa da forma que tem, mas se a mesma força for aplicada sobre um cone, ele rolará em círculo. A força é a mesma, mas as características predefinidas de cada forma, determinam o que acontecerá.

No Estoicismo, a sabedoria perfeita é aquela que faz o estoico ser imperturbável e virtuoso em todas as circunstâncias, pois estaria vivendo em harmonia com o logos e aceitando tudo o que acontece como parte da ordem racional do universo.

Através de seus proponentes e defensores o Estoicismo pregava que o ser humano era “livre”, mas esta liberdade estaria restrita “ao que o destino havia estabelecido”. Os estoicos foram os primeiros a usar o conceito de "compatibilismo", ou seja, o livre-arbítrio humano seria plenamente "compatível" com os ditames do destino para ele, em outras palavras, o homem seria livre para fazer o que o destino estabelece.

A despeito das suas frágeis tentativas de reconciliar os conceitos de livre-arbítrio e destino, os estoicos acreditavam que todo e qualquer evento no universo estava predestinado e era milimetricamente orquestrado e determinado.


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Atualizado em 22/03/2026