Referências do Debate

Docetismo

Marcião fora uma espécie de filósofo e pensador cristão, mais conhecido por sua ligação com o que viria a ser conhecido como “Docetismo”. De fato, muitos atribuem a ele a criação desta linha de pensamento. A palavra “docetismo” vem do termo grego δοκέω [dokeō] que significa “parecer”, de “aparência”. A ideia central era que o corpo de Jesus Cristo seria uma ilusão, e que sua crucificação teria sido apenas “aparente”, mas não real. O docetismo não era uma religião à parte do Cristianismo, mas uma corrente de pensamento que permeava diversos segmentos da Igreja.

Havia cristãos gnósticos que aderiam ao docetismo e outros que tinham uma interpretação diferente a respeito do tema. Outros gnósticos acreditavam que Jesus era um simples homem qualquer sobre o qual o Cristo, vindo do Pleroma divino, havia descido, e que quando Jesus morreu na cruz, o Cristo teria se retirado dele. Esta abordagem é feita, por exemplo, no Evangelho de Judas, obra gnóstica já conhecida no segundo século, citada por Irineu de Lyon em sua obra "Contra as Heresias".

Marcião, por exemplo, era um cristão gnóstico defensor do docetismo. Para ele, Jesus Cristo não passava de um espectro ou espírito, e até poderia ter aparência humana, mas não possuía carne e sangue de fato.

Sabemos que as Escrituras ensinam que "nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus". (1João 4.2) e que "muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne..." (2João 1.7)

Aqueles que negavam a existência do corpo de Jesus Cristo diziam que sua crucificação teria sido apenas aparente. Os docetas acreditavam que a carne era maligna, e por isso Jesus, como mensageiro do Pleroma, não poderia ter um corpo humano.

A linha de interpretação gnóstica era diversificada e cada grupo tinha suas próprias especificidades. Era um movimento sincretista que assimilava elementos de várias outras fontes e religiões sem qualquer dificuldade, e, por causa disso, o movimento gnóstico variava em diversos detalhes de um grupo para outro. Sabe-se, por exemplo, que a partir de Marcião, propagou-se o pensamento gnóstico considerado “Marcionita” ou “Marcionista”, assim como no “Valetinianismo”, termo atribuído aos pensamentos gnósticos particularmente propagados por Valentim ou Valentino, de quem Irineu de Lyon parece ter falado mais do que contra qualquer outro em sua obra contra o Gnosticismo.


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Atualizado em 22/03/2026